07/12/14

Faz algum tempo que não escrevo para o blog. Não significa que abandonei a literatura! Pretendo voltar... e com novidades!

Agradeço imensamente a todos que acompanham o meu trabalho.

E desejo que o final do ano seja um momento de renovação. Que todos nós possamos recuperar as energias e que nossos caminhos sejam iluminados.

Até lá!

Beijos!

30/07/14

O que os ventos trazem

Por Aline Diedrich

“Naquele instante, confesso, abandonei todas as vontades e algumas verdades que acumulei ao longo do tempo. Em velocidade, contra o vento, o velho conversível me levava para além de todas as expectativas. O blues embalava e inibia, continuamente, o meu corpo. E os trejeitos, mais do que pelos raios intensos do sol, estavam sob o efeito do sorriso debochado e de um olhar petulante. Tirei os óculos em ato de admiração. 

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No banco de trás, garrafas e garrafas de luas passadas. Os mais insanos me diriam pula, porém, ironicamente, eu lia poesias, por momento escondidas atrás do humor ácido e por uma expressão maliciosa, mas de repente assustada pelo meu jeito agridoce. A música, por fim, se confundiu com uma voz rouca e eloquente.

Meus cabelos bagunçados não balançavam mais. O carro parado na estrada deserta, perante um azul límpido do céu de julho. Tive impulsos que provocaram histórias futuras e no melhor estilo rocking and rolling, ele veio até mim. Seria infinitamente da mesma forma, como promessa vã, para me resgatar do preto e do silêncio mórbido da noite e me apresentar às cores de fogo de cada amanhecer...”

De súbito, o vento sacudiu as janelas e me despertou das minhas memórias brandas. Agora, os ventos não trazem mais aquelas intermináveis frases censuráveis, mas tenho as cartas suas que são como anestesias para as dores causadas por um rio vermelho, simbólico, que existe lá fora. Os ventos, então, fazem redemoinhos de folhas também mortas e, por vezes, dão esperanças de retornos próximos. 

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Este texto é sequência de:

20/06/14

Para quando amanhecer

Por Aline Diedrich 
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O vento levou embora as folhas mortas como simbologia daquelas dores que exorcizei. Bastava de masoquismo. Bastava do mais autêntico masoquismo da alma. Junto das pessoas, haviam adormecido todas as agitações e perturbações. Eu não. Eu, ainda sob o efeito hipnotizador dos olhos do moreno, deixei que o som embalasse a noite, madrugada adentro, como uma imperfeita boneca de pano que desperta da inércia, com todas as suas curiosas inquietações. As luzes da cidade pareciam saudações, vistas da janela do alto daquele prédio, num bairro sujo no país das maravilhas.

O etílico, ah o etílico! Mais uma dose apenas e não ficaria nada além das verdades, principalmente das ironias, que libertou. Bastava de meias verdades. Propus, portanto, brindes ao meu estúpido domínio da razão. Às vezes que bati com a cabeça na parede dando de cara com as atravancas do caminho. Brindei aos meus olhares tortos, aos olhares fixos, aos outros amores atravessados. De tudo, guardei o saber de que páginas viradas não voltam.

“Good vibes”, ele falou e despencou, em queda livre, num sono e em sua esquisita apneia de onde voltaria umas cinco horas depois com cheiro e gosto de café amargo. Ah moreno...

Em sua magnitude, debochado, o céu quase sorria pra mim. Os paralelepípedos, lá embaixo, assombrados, esperavam ansiosos pela oscilação da vida. Eu, absolutamente honrada como aquela que sobreviveu ao caos e todos os cacos deixados pra trás, sorri de canto, disfarçada, como cúmplice, e pedi perdão pelos meus paradoxos, mas sem nenhuma pretensão em deixar de tê-los.

Então do vento, não veio tempestade. E eu, onipotente, megalomaníaca por natureza, finalmente me senti pequena diante do sol que surgiu tímido e trouxe com ele o cheiro de jornal das manhãs. Quem diria, justamente eu, que – sem meio termo - era preto no branco, descobri que existiam todas as cores em mim.

Ah, moreno... Se você soubesse...

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